sábado, 10 de julho de 2010

Vida de drogado


Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de experimenta, depois quando você quiser é só parar… e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de “raiz”, da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira.

Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de “amigo” e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano.

Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve… Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores… o Tchan, Companhia do Pagode e muito mais.

Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes. Então, meu amigo me deu o que eu queria, um CD do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela!

Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais… Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a
minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa.

Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro. Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados.

Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea “As melhores do Molejo“. Foi terrível! Eu já não pensava mais!!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada.

Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas.

Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido e quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras… Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo.

Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart, Beethoven e Bach.

Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:

-Não ligue a TV no domingo à tarde;
-Não entre em carros com adesivos “Fui…..”;
-Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe e ou ao Domingo Legal do Gugu; Mulheres gritando histericamente são outro indício;
-Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa; (essa é boa!)
-Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
-Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil, e…
-Não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.

DIGA NÃO ÀS DROGAS! A vida é bela! Eu sei que você consegue!

Vida de drogado - Luiz Fernando Veríssimo

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ônibus e flores, isso dá certo!

Andar de ônibus carregando uma vaso de flor é uma experiência para lá de interessante. Ao entrar dentro do ônibus todos os passageiros fazem cara de interrogação. Se pudesse ler pensamentos tenho certeza que veria coisas do tipo: "será que ela ganhou essa flor?", "para quem será a flor?", "flor bonitinha!", "detesto flor!", entre outras coisas. A parte mais interessante disso não é a feição dos passageiros e sim o que acontece com você ao escolher o seu assento. Você olha para todos os bancos, ao avistar um espaço vazio é para lá que você se dirige. Ao sentar, parece que automaticamente cria-se uma bolha invisível ao seu redor, que não permite que ninguém se aproxime de você ou da bela florzinha. É legal que por mais que falte lugares para se sentar as pessoas te evitam, evitam sentar ao seu lado, evitam te olhar, se puderem não passar perto de você farão isso, com certeza! Com isso, vai você e sua flor, dentro de sua bolha invisível, sem que ninguém te incomode, te veja ou te olhe. Se por acaso vierem a olhar para você, na verdade não será para você, e sim para flor. Carregar um vaso de flor, automaticamente te torna um ninguém, um fantasma, é visível somente a flor, mais nada a sua volta. Eu não entendo o que ocorre, qual é o poder místico que envolve esse passeio, a única coisa que tenho certeza é que a flor chegará bem ao destino, graças a bolha que se cria ao pisar dentro do ônibus. Bem, se é tranquilidade e espaço que procura dentro de um ônibus, leve um vaso de flor contigo!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

VANESSA DA MATA - UM DIA, UM ADEUS



UM DIA, UM ADEUS
Composição: Guilherme Arantes

Só você prá dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver a luz
Estrela no deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza...

Um dia um adeus
E eu indo embora
Quanta loucura
Por tão pouca aventura...

Agora entendo
Que andei perdido
O que é que eu faço
Prá você me perdoar...

Ah! que bom seria
Se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir
Como a primeira vez
Te dar o carinho
Que você merece ter
E eu sei te amar
Como ninguém mais...

Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou...

Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Como eu, como eu

sexta-feira, 19 de março de 2010

"Isso porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho é ajudar os outros a vencer,mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos... Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é só consequência."

Albert Einstein

sábado, 13 de março de 2010

Adeus Ilha Açúcar

Sei que ao colocar o pé para fora de casa estou sujeita a qualquer tipo de acontecimento, porém não esperava que esse ocorrido estivesse na lista "coisas para tornar o seu dia mais interessante - ou não". O maior erro do dia foi dar ouvidos aos sabedores e conhecedores do mundo que dizem que a universidade será os melhores anos de sua vida, com isso em mente fui enfrentar o maravilhoso mundo da UFMG. Tudo seria muito bonito e dentro do esperado se naquela selva não estivesse os temidos veteranos famintos por carne fresca a espera dos inocentes e indefesos calouros do curso de veterinária. A esperança de encontrar a ilha açúcar do Flapjack se desmoronou ao sentir a sede por sangue vinda dos veteranos e o olhar de terror no rosto dos calouros ao redor. A alegria, para os carrascos e não para nós detentos, se resumiu em jogar todos os líquidos fétidos e asquerosos imagináveis e não imagináveis em cada corpinho trêmulo dos novos universitários. Parecia uma competição: quem consegue matar primeiro um calouro axficiado por mal cheiro, valendo! Posso dizer que, até hoje, foi a pior experiência de minha vida! Nunca me senti tão imunda, minha situação era parecida com a dos moradores do Porto Tempestade e somente o Flapjack desejaria passar por essa "aventura". As minhas roupas ficaram em um estado que nem mesmo a Ilha da Roupa Suja seria capaz de lavá-las. Após todas essas sensações desagradáveis e com o objetivo de tornar o dia mais "feliz", os sabedores e conhecedores do mundo fizeram a gentileza de me explicar - mesmo que eu não tenha pedido - que eu deveria ter xingado, brigado, socado, tirado fotos dos selvagens como prova do crime e até mesmo chamado a polícia. Me pergunto de esses sabedores e conhecedores do mundo não percebem que essas atitudes só dificultariam a minha vida acadêmica me tornando a caloura marcada pela minha revolta? Devo dizer que foi um dia lamentável, que lembrarei por muito tempo, por causa do cheiro de óleo de pastel que não sai do meu cabelo. Essa tortura serviu apenas para uma coisa: contestar a propaganda que diz "omo multiação - porque sujar faz bem!" Os responsáveis por esse mentiroso comercial não sabem o verdadeiro significado da palavra sujar, por isso penso que os marketeiros de plantão que divulgam essa calúnia deveriam passar por um trote do curso de veterinária para reavaliar conceitos.

sábado, 6 de março de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Solidão


Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.
Solidão não é claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente do nosso lado...
Isto é circunstância.
Solidão é muito mais que isso. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma.

Solidão vista por Chico Buarque

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Amadurecimento


Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você...
A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando...
A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar.
Mas uma coisa parece estar sempre presente... A busca pela felicidade com o amor da sua vida.
Desde pequenas ficamos nos perguntando "quando será que vai chegar"?
E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida "será que é ele"?
Como diz o meu pai: "nessa idade tudo é definitivo", pelo menos a gente achava que era...
Cada namorado era o novo homem da sua vida. Faziam planos, escolhiam o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e de repente... PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito "do próximo".
Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses.
Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva. Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido, inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite.
Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue "imagem e ação" e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo.
A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação já não tem o mesmo valor que tinha antes.
A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal, que nos complete e vice-versa.
Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta... e haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira. Sem falar na diversidade que vai do Forró ao Beatles.
Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer a barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som...Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Amadurecimento - Mário Quintana

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Adeus ano!

Mais um ano chegou, e com ele incertezas, sonhos e muita esperança.
A vida é como uma viagem de trem, nem sempre podemos ser o maquinista, mas podemos ser o mais divertido passageiro. Escolha um lugar próximo a janela e desfrute o melhor que a paisagem oferecer. Não tenha receio do caminho desconhecido e aproveite o cenário. Pegue o mapa e faça somente os planos necessários. Atente-se a cada ponto de parada, se ali uma pequena garota de olhos verdes, chamada esperança, lhe acenar, desça confiante em encontrar um novo destino. Quando chegar, se ouvir falar de um lugar mais alegre, ponha a mochila nas costas e leve para lá todos os seus sonhos. Faça uma viagem inesquecível, aproveite cada minuto que o passeio lhe oferecer e conquiste novos amigos. Alguns viajarão junto a você até a última parada, outros irão preferir outras estações, porém sempre mandarão um cartão postal. O percurso lhe reserva muitas surpresas, mas é isso que o torna tão interessante, portanto aproveite mais um ano que se acrescenta na viagem da vida fazendo com que ele seja de primeira classe.

“A coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia..”

Guimarães Rosa

domingo, 27 de dezembro de 2009


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Luís Fernando Veríssimo

.:Felicidade se acha em horinhas de descuido...:.

.:Felicidade se acha em horinhas de descuido...:.